Disciplina - detalhe

LCF5862 - Adequação Ambiental de Unidades de Produção, com Ênfase para a Restauração de Áreas Degradadas


Disciplina de Pós-Graduação

Objetivo
Essa disciplina será oferecida de forma concentrada no campo, usando uma situação problema (unidade de produção ou microbacia degradada) como objeto de trabalho e de aprendizado, onde o aluno, após todo o referencial teórico apresentado e discutido, vai testar os conhecimentos adquiridos, coletando os dados no campo, de todas as etapas de um programa de restauração florestal. Isso inclui um rápido treinamento de reconhecimento de campo das principais espécies florestais, dos diferentes grupos ecológicos. Como não será possível que os alunos afiram o resultado de seu aprendizado no estabelecimento de ações de restauração, em função do tempo de oferecimento da disciplina, o último terço da disciplina será usado para junto com os alunos, aplicar no campo, metodologias que gerem indicadores de avaliação e monitoramento de diferentes iniciativas de restauração, usando métodos diversos, com diferentes idades. O produto final será a laboração de um projeto de restauração Florestal de uma dada área, contendo todas as etapas fundamentais para o seu sucesso e ainda os indicadores necessários para sua avaliação e monitoramento. Essa disciplina será oferecida concomitantemente para os programas de Recursos Florestais da ESALQ/USP, o Programa Interunidades de Ecologia de Agroecossistemas da USP e para o Programa de Biologia Vegetal da UNICAMP, com 6 vagas para cada programa. Caso tenha mais inscritos, será usado como seleção a vinculação do projeto de mestrado com o conteúdo da disciplina e depois disso o desempenho acadêmico do aluno na pós-graduação.

Conteúdo
1° Parte- Zoneamento ambiental detalhado d e uma dada unidade natural (microbacia) ou de produção, usando imagens aéreas (fotos aéreas recentes);
2° Parte - Checagem de campo do zoneamento produzido, com posterior correção;
3°Parte - Caracterização florística e do estado de degradação dos remanescentes naturais, visando subsidiar a escolha de espécies para uso na restauração;
4° Parte - Apresentação e discussão dos processos ecológicos envolvidos na dinâmica florestal, como processos e conceitos embasadores das metodologias e ações de restauração florestal;
5 ° Parte - Definição das metodologias de restauração mais pertinentes de cada uma das unidades do Zoneamento, com base no potencial de auto-recuperação dessas unidades, potencial esse identificado, caracterizado e quantificado no campo, e dependente, portanto das características de uso e ocupação atual e pretérita e das características do entorno de cada unidade.
6 ° Parte - Conceitos embasadores da definição metodológica e prática de campo de marcação de matrizes florestais;
7° Parte - Dimensionamento para implantação do viveiro florestal responsável pela produção das mudas que deverão ser usadas na restauração;
8° Parte - Elaboração de materiais didáticos descrevendo elementos da natureza (trilhas de espécies, de paisagens, de formações, de tipos de degradação, etc.),
9° Parte - Bases para a priorização das áreas de restauração na unidade de trabalho e para elaboração de cronograma de restauração e
10° Parte - Construção de indicadores de avaliação e monitoramento das áreas restauradas.

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